Quando abrir os olhos, de manhã, logo cedo
Espero a primavera, que tarda a chegar, nesse sul do mundo.
Um dia, quando criança, me falaram das quatro estações
Que só descobri depois de gente grande, quando o coração era mais apertado do que nunca
E eu já era bem mais criança do que pensei.
Um dia, quando tiver a sorte de rever as flores, talvez eu tenha a certeza de que cresci
Enquanto isso,
Vou cantando as coisas que vejo e pressinto, sem medo de errar
É tudo tão sem graça, enquanto passo
Que nem temo estar indo, vindo, chegando ou partindo
O que me interessa é explorar essa verdade que sai de seus poros
E deixa os cinco dedos de suas mãos gravados em minha face.
A verdade é uma só: você não me ama mais,
Você nunca me amou
Amava o desafio, o longe, a impossibilidade, o desejo de alcançar
Hoje seu leme aponta na direção do que é ermo
Do que talvez nunca alcance
É o lance onde você aposta as fichas,
Imprecisas,
Inexatas,
Investindo o que precisa para tentar ser igual.
Eu me lanço fora desse barco
Traçado para o fracasso, onde você transborda paixão
E eu me vejo pronta para deixar a água entrar e pular num mar bem mais calmo
Onde a minha rota aponta o horizonte infindo
Que sonhei para mim
E onde seu rosto não cabe.
Porque no futuro,
Incerto, inseguro, onde você me vê
Estarei bem
Estarei pronta para navegar com novas velas
Sem o seu desvelo frágil, sem o seu passado torto
Sem o seu medo,
Enquanto você lamenta,
Tenta voltar.
E já não há mais lugar para você.
Depois que a vida mostrar o pobre cenário onde você quis ficar.
